domingo, 14 de abril de 2013

Música Neuquina



Era só mais um grão de areia perdida,
Sem significado,
Sem vida,
E uma longa história a contar.
Vento,
Frio,
Inundações,
Trangressões.
A dorsal,
Já ferida,
O chão movia,
Cada vez que gemia.
O Pacífico,
Turbulento,
Ia e vinha
Para acomodar as feridas
Trazia consigo,
Salmoura e muita vida
Mas a Natureza é feminina,
Negou a ajuda vinda,
Rompeu os laços
E seguiu sua rotina.
Ao som da nova bossa,
A nota deixada era Muerta,
A aridez que apontava
Parecia certa.
O vento criterioso,
O rio caudaloso,
O vai e vem das marés,
Uma nova história estava de pé.
E era tão rica,
E tão viva,
Com diferentes personagens,
E diferentes paisagens,
Estelas do mar,
Conchinhas,
Cristais,
A morte em posição de vida.
Um novo ciclo,
Milhões de anos pra contar
Um grão de areia pequenino,
Seu caminho estava a trilhar.

Por Elita de Abreu.

Flechada



Quando algo diferente acontece
Algo que há muito se tinha perdido
Que se fora com a fé
E se acomodara com o dia a dia
Quando você bate os olhos
E sente que há algo diferente
E tudo aquilo mexe com o seu íntimo
Com sentimentos perdidos
Com sonhos esquecidos
Quando você se sente novamente uma criança
Redescobrindo a vida
Um adolescente que sabe que a vida é pra ser vivida 
Um adulto com medo das feridas
Um velho sem saída
E te bate uma vontade ensurdecedora de ser mais você
De não olhar pra trás,
Pros lados,
Se quer pra frente,
Só para aquilo que está a sua frente
De repente,
Alí,
Na sua frente,
Inesperadamente,
Confundindo os sentidos,
O significado de um sorriso,
Um coração abatido.
E a coragem se esvai,
E vem,
E vai
E você se vai,
Com gostinho de quero mais,
Nada mais.

Por Elita de Abreu.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A caminho da volta.

Ontem do nada essa música me veio à cabeça.
Não sei bem ao certo se realmente foi do nada ou se tem a ver com todo um processo...
O fato é q eu adorava essa música na minha adolescência e sempre me senti encaixada nela.
Acho q estou voltando às minhas origens, ao meu eu interior.
E pra arrematar, uma, ou melhor, duas dessas coincidências (ou não) da vida. Hj recebi dois emails de duas pessoas muito queridas.
O conteúdo de um deles me faz dedicar essas música a ele, pois ao se  descrever, parecia muito q tb andava ouvindo esse som...
O outro, bem, o outro me descreveu, e quase que rescreveu a música...
Essa música é para nós três e todos os outros q se sentirem encaixados nela.
Bjos.

PS: quem quiser ouví-lá essa é a versão q mais gosto, até pelo clip... (http://youtu.be/pp95olCn3lY)

CREEP - Radiohed

When you were here before,
Couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
Your skin makes me cry.


You float like a feather,
In a beautiful world
I wish I was special,
You're so fucking special.


But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.


I don't care if it hurts,
I wanna have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.


I want you to notice,
When I'm not around.
You're so fucking special,
I wish I was special.


But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here


She's running out again,
She's running,
She run, run, run, run, run.


Whatever makes you happy,
Whatever you want.
You're so fucking special,
I wish I was special,


But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here,
I don't belong here.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Perdão



Perdoa-me se entrei sem bater
E ali fiquei pra te conhecer
Perdoa-me se fí-lo sorrir
Não zombei do teu rir
Perdoa-me se mudei sua vida
Não a sabia tão sofrida
Perdoa-me pelo mal que te fiz
Desde sempre foi seu bem que eu quis
Perdoa-me pela cegueira
Por entrar e sair sorrateira
Perdoa-me pela mágoa causada
E Pelas palavras usadas
Perdoa-me por causar-te dor
Independente da forma, foi por amor
Perdoa-me a cusparada
E toda a lágrima derramada
Perdoa-me por te querer feliz
Pra não me sentir infeliz
Perdoa-me, eu que sou desalmada,
Por querer fazê-lo uma pessoa amada
Perdoa-me por fazê-lo sonhar
E não deixá-lo voar
Perdoa-me por tê-lo descoberto Dolce 
Quando a cena era de foice
Perdoa-me por declamar Édipo
Quando esperavas Lolita
Perdoa-me por colocar um fim
Em tudo aquilo que não foi
Perdoa-me, acima de tudo, por ser assim
E não outrossim
Perdoa-me por te pedir aqui
O perdão que de outro jeito não sei pedir

Por Elita de Abreu.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Fahrenheit 451

É simplesmente brilhante, atual e alarmante o livro de Ray Bradbury (1920-2012), publicado em 1953.
Comecei a lê-lo em português e fiquei tão fascinada, que abandonei o exemplar traduzido e fiz questão de lê-lo em sua língua original, inglês, para ter certeza de que não estava perdendo nada.
Considerado um dos tripés da literatura pós segunda guerra que combatia principalmente a censura, junto com 1984 (George Orwell) e Admirável mundo Novo (Aldous Huxley), Fahrenheit consegue ser o livro de ficção que mais se aproximou da realidade de hoje.
O tema principal  do livro trata da importância dos livros e da leitura e é conduzido através da narrativa da  transformação de Guy Montag, um bombeiro, que assim como seu pai, estava destinado a queimar livros que nunca sequer teve curiosidade de abrir, para o resto da vida, em um foragido de alta periculosidade, que não só esconde livros em sua própria casa, como sabota os próprios colegas de profissão implantando livros em suas casas para em seguida denunciá-los.
No entanto, paralelamente ao tema principal, há tantos detalhes fascinantes, e um tanto assustadores dado a predição acertada do futuro, que o livro se torna quase que um Raio-X do século 21. O suicídio "acidental"  comum entre as pessoas, que esperam estar sempre felizes e sorrindo e, para isso, se enchem de anti-depressivos. A covardia dos intelectuais que não fazem nada do que pregam e se escondem sob a máscara de "sou apenas mais um". A violência deliberada devido à falta de sonhos e ideais. A vida virtual, igualmente virtualmente feliz. A recriminação e opressão de toda e qualquer forma de diferença de opinião. A hipocrisia dos poderosos. A imposção das minorias.
Por fim, todo esse banquete é finalizado por um delicioso e provocador epílogo, onde o próprio autor toma a palavra e literalmente diz o que pensa, e que cabe ainda hoje, como uma crítica merecida e fiel da sociedade em que vivemos.

Abaixo destaco alguns trechos do epílogo, traduzidos por mim mesma, como uma amostra do brilhantismo de Ray Bradbury.

"Há mais de um jeito de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas por aí com caixa de fósforos. Cada minoria, seja Batista, Unitário, Irlandes, Italiano, Octagenário, Zen Budista, Sionista, Adventista, Feminista, Republicano… Acha que tem o direito, ou o dever, de dosar o querosene e acender o fogo. 
Oras, se os Mormons não gostam do que escrevo, eles que escrevam seus próprios livros. Se os irlandeses não se identificam com minhas idéias, simplismente não leiam textos de minha autoria. Nenhuma desses grupos e nem  qualquer outro ser é obrigado a ler o que escrevo, porque querem me obrigar a não escrever?."

"Uma vez uma escola me procurou querendo publicar um de meus contos em um livro que reuniria contos de 400 autores, para que fosse lido durante o ano didático. Fiquei me perguntando como colocariam 400 contos em um só livro, o qual deveria ser lido ao longo de um ano letivo, em paralelo com outras atividades escolares e extra-escolares. Simples, compreendi em seguida, uma sequência de adjetivos utilizados  para descrever a beleza de uma flor seria substituído apenas por um: uma bela flor. Palavras com mais de 3 sílabas, seriam substituídas por seus sinônimos menores. Shakespeare, Melville, Wilde, Poe, todos pareceriam a mesma coisa, o mesmo autor, perderiam a sua identidade. Não autorizei."

"Nem todo livro é libertador. Muitos, eu diria a maioria, não servem para nada e poderiam ser queimados. Não acrescentam, não subtraem, não deixam impressão nenhuma."

"Não há maior inimigo da leitura que os colecionadores de livros, aqueles do tipo que enchem a estante deles, mas nunca os abrem. Estes são os verdadeiros bombeiros."

O livro fica para quem tiver curiosidade.

Por Elita de Abreu.